Uma coisa chamada trocanterite

Cumpri o prometido: depois das minhas três provas em Setembro (Corrida da Decathlon, Meia Maratona do Porto e Corrida do Tejo) voltei ao médico para finalmente tratar da minha lesão na anca que perdura há vários meses (ainda que agora esteja numa fase muito calma), antes que esta situação possa prejudicar o meu futuro na corrida. E isso é que não pode ser!

No final da semana passada lá fui eu a um Ortopedista especialista na dita cuja. Pelo caminho nos corredores do Hospital da Luz ainda me cruzei com o Fejsa (relembro que perdemos 5-0 com essa grande equipa de renome mundial chamada Basileia) e ainda pensei em dizer-lhe algo como: “Queres levar 5 com esta mão? Ou com a outra?”. Calei-me.

Fui chamada ao gabinete, expliquei a situação ao médico e ele, após analisar a minha radiografia disse:

“  Não tem absolutamente nada nas ancas.” – e guardou a radiografia.

Eu fiz logo aquela cara de «Olha-me agora!? Daqui a pouco vai dizer que não me dói nada!»

Manda-me levantar, dirige-se a mim e toca-me exatamente na zona afetada:

“ – Incidindo aqui e imaginando uma linha reta dói-lhe exatamente no centro não é?”
“ – Sim, é isso mesmo…”
“ – Pelo que vejo dos seus exames tudo indica que tem uma trocanterite, uma tendinite no grande trocânter da bacia. Agora as ancas? Tem umas belas ancas digo-lhe já!”

É qualquer coisa ali na zona

Esta foi a única parte divertida da consulta, um ortopedista com idade para ser meu avô a elogiar as minhas ancas como se fosse uma preciosidade. Depois disto? Fisioterapia disse ele.

“ – Mas posso continuar a correr? Posso?” – perguntei eu com aquele olhar de criança desesperada.
“ – Não convém mas quem lhe poderá dizer isso de forma mais concreta é o fisiatra depois de a examinar e decidir que tipo e quantas sessões de fisioterapia vai precisar. Creio que entre 12 a 20 para resolver o problema definitivamente”.

Não perdi a esperança. Resolvi esperar pelo consulta de fisiatria antes de ficar paranoica, podia ser que fosse necessário apenas reduzir a distância ou intensidade, ou mesmo ambas, mas não parar.

No sábado o M. mandou-me o registo do treino dele só para me fazer inveja: 5,8km a 6:00min/km. Na altura não lhe disse mas aquilo ficou ali a moer-me a alma… Ele está a preparar-se para a Corrida do Montepio, para a Meia Maratona dos Descobrimentos (para a qual também estou inscrita), excelente tempo, e eu?! Eu vou ter de parar. Mas como ainda não tinha recebido sentença final no Domingo de manhã fui correr e usei toda aquela raiva e desilusão para não deixar o M. escapar:



Estava demasiado calor (alguém acredita que já chegou o Outono?!) mas consegui um excelente registo. Não conseguiria fazer mais 4km assim para finalmente fazer 10k em menos de 1h. Essa será a parte boa de correr no Inverno. Queria muito atingir este objetivo até ao final do ano, exatamente 1 ano depois de me iniciar nas corridas. Seria um belo presente.

Ontem fui ao fisiatra que, depois de ver os meus exames e de me pedir para fazer algumas coisas estranhas como “vai levantar a perna direita e fletir a perna esquerda até cerca de metade” ou “vai fazer força nos glúteos como se não quisesse colocar um supositório” (nesta confesso que o meu cérebro parou e demorei 2/3 segundos a chegar lá), confirmou o diagnóstico: trocanterite com tratamento através de fisioterapia. Voltou a criança desesperada:

“ – Mas posso continuar a correr?”
“ – Durante o tratamento não convém, pelo menos até percebermos a evolução. Mas pode fazer caminhadas!”

Ele bem tentou animar-me com aquela frase mas deve ter percebido pela minha cara que não era uma alternativa entusiasmante porque logo a seguir rematou:

“ – Sim, eu sei que não é a mesma coisa…”

E não é, de facto não é. Chegou o resultado que tanto temi e evitei: uma paragem nesta atividade que me tem feito tão bem. Certamente não preciso de vos dizer como me sinto. Tento pensar que não é assim tão mau, se fizer 3 sessões de fisioterapia por semana talvez consiga despachar isto em pouco mais de um mês. Ainda não está nada definido, tenho de aguardar a autorização da seguradora para agendar as sessões. Só depois terei uma ideia mais certa sobre o tempo de paragem, ainda que tudo dependa da minha evolução. É impossível não ficar preocupada. Já decidi não fazer o Trail do Zêzere apesar de estar super ansiosa por experimentar este tipo de provas, e a minha participação na Meia Maratona dos Descobrimentos não está garantida. Acho que já interiorizei isso apesar de não estar satisfeita. Resta-me perceber se consigo pelo menos fazer a São Silvestre de Lisboa e, claro, o Fim da Europa.


“Ânimo, Fabiana!” – Dirão vocês. E eu agradeço porque a verdade… A verdade é que podia ser pior! E no fundo eu sei disso.

Comentários

  1. Fabiana, eu estou sempre em paragem - nos intervalos é que corro! Por isso digo, vais precisar de uma boa dose de paciência!
    Mimo também ajuda! :)

    As boas notícias já foram dadas: há tratamento e a recuperação vai ser total!

    Fizeste óptimas prestações nos últimos tempos, estás de parabéns, tens montes de margem de progressão, mas vê este tempo como um descanso merecido, mesmo que sintas ganas de dar uma volta ao mundo a correr! :)

    Mantém-te activa, para travar a diminuição da forma física (bicicleta, natação - pergunta ao fisiatra, se podes fazer).

    Vais só fazer umas férias - necessárias - para que não tenhas de fazer mais paragens, no futuro.

    Beijinhos, paciência e boa recuperação!

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    1. Obrigada Runner! Haja paciência! Não é garantido que a recuperação seja total mas segundo o que me disse pode ajudar bastante a evitar novos problemas.

      Quando tiver de parar vou fazer natação. Não é algo que me agrade muito isso de fazer piscinas para trás e para a frente mas sempre é melhor que nada e tenho de manter a forma física.

      Beijinhos e obrigada pelo apoio!

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  2. Sei bem o que custa e a sensação de falta de liberdade que uma paragem acarreta (a minha maior paragem durou 6 meses quando parti o pé esquerdo a 14 de Dezembro de 2008...)
    Também sei o quão desnecessário são frases feitas.
    O que sei que conforta é o carinho dos amigos e é isso que te envio.
    Força!
    Beijinhos e vai relatando a evolução

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    1. 6 meses... Nem quero imaginar, João! Isso é que é força!
      Obrigada pelo apoio!

      Beijinhos

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  3. Fabiiii!!! "Ânimo" !! Obviamente... e muita força!
    Quem corre percebe exactamente como te sentes e que apesar de todas as palavras de encorajamento há sempre um vazio dentro de nós, mas o importante é que fiques a 100%, quem sabe depois não vais ser ainda mais rápida?! Olha eu com o meu nariz? Respiro bem melhor agora para as minhas corridinhas.
    Vai com calma e faz tudo como deve de ser, tu és forte e quem sabe a tua recuperação é mais rápida do que o previsto. Logo, logo estás aí em versão Bolt :)

    Beijinhos e as melhoras <3

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    1. Oh minha boneca! Que saudades de Sintra!!!

      É iso mesmo, o apoio de quem nos compreende é incrível e ajuda sempre mas esse tal vazio vai sempre estar cá, é combatido pela esperança! :)

      Tu agora estás ótima, já em versão Bolt!

      Beijinhos!

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  4. “Ânimo, Fabiana!”
    Janeiro 2017 - canelite provocada por uma série de factores. Diagnóstico: parar 3 semanas.
    O que é que fiz? Parei duas e não abdiquei do Fim da Europa que terminei cheio de dores. Resultado: nova consulta e paragem obrigatória de um mês. Perdi a Corrida da Árvore (é no Monsanto, acho que ias gostar desta!) e a Meia de Cascais.

    Parar é uma chatice que ninguém quer, mas às vezes é um mal menor. Provas há muitas, mas Fabiana há só uma.
    Beijinho!

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    1. Pronto, o N. racional a dar-me na cabeça com toda a razão! :P

      Corrida da árvore já ouvi falar, quem sabe se não a faço?! :)

      "Provas há muitas, mas Fabiana há só uma." - Não diria melhor!

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  6. Estou exactamente com esta maleita. Espero que a Fisioterapia dê melhor resultado que a minha, pois a dor ainda cá anda a moer, e moer. Vai-nos dizendo quais os desenvolvimentos do processo, até porque também tenho a minha para debelar... as provas chamam por nós!!! As melhoras!

    Nuno Carrasco

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    1. Olá Nuno.

      Pois, ele também me alertou que depois da primeira o difícil será não ter recaídas, mas disse-me que é possível controlar.

      Tu fazes alongamentos? Eu confesso que os alongamentos ajudaram (e ajudam) imenso. Tanto que o pico desta lesão foi em Abril/Maio e tenho controlado até agora só com alongamentos. Deixei de ter aquelas dores absurdas que até me deixavam coxa e já fiz algumas provas desde então sem grandes problemas. Obviamente que o ideal seria curar definitivamente mas isto já ajuda bastante.

      As tuas melhoras e vai dando notícias também!

      Ps: espero que sejas o Nuno Carrasco que adicionei no Strava, se não fores... paciência! ahahahah

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  8. Na São Silvestre estás pronta para atingir o teu objectivo, com essas "belas ancas", vais ver! 😁😉

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    1. Pois vou, e tu também, seja ele qual for... Sub 55? :P

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  9. Caminhar não é a mesma coisa, mas também pode ser agradável. Com um grupo de amigos e explorar montes não conhecidos lol. Tens é que te controlar para não correres...

    Boa recuperação!!!

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    1. Pode e é agradável, sem dúvida. Mas é como se estivesses desejosa para comer uma mousse de chocolate e te dissessem que só há gelatina... Gostaste da comparação? ahahahah

      Obrigada!

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  10. Ânimo! Mesmo! O importante agora é tratares disso :) E na São Silvestre faço-te companhia e fazemos menos de uma hora. Combinado? :)

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    1. Combinadíssimo Agri, as duas será certamente mais fácil para nos apoiarmos mutuamente.

      Beijinhos

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  11. Apareceu-me a dor na anca na meia dos descobrimentos, voltou no GP de Natal e foi quando decidi ir ao ortopedista que após uma RM me recomendou fazer fisioterapia. Claro que depois disso fiz a S. Silvestre de Lisboa, contra as recomendações médicas. Hoje a fisiatra mandou-me parar com quase tudo, até as caminhadas não devem ser longas, enquanto as lágrimas escorriam-me pela cara. Vou começar agora a fisioterapia. Já recuperaste?? Dizem que demora, gostaria de ter o feedback de alguém com o mesmo problema.
    Obrigada

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    1. Olá! Antes de mais obrigada pelo comentário :)

      A minha fisioterapia não foi aprovada (pelo seguro particular) e, para a fazer numa clínica de fisioterapia com acordo com o público teria de me sujeitar a horários que seriam impossíveis de concicliar com a minha vida profissional. Posto isto fiz algo que não recomendo de forma alguma: esqueci a fisioterapia e optei por parar 3 semanas após a Meia Maratona do Porto (acho que só fiz um treino muito soft). Durante este tempo fiz muitos alongamentos, deixo-te o link de dois dos que faço habitualmente:

      https://www.google.pt/search?rlz=1C1GGRV_enPT767PT767&biw=1280&bih=896&tbm=isch&sa=1&ei=mepNWvY-h_pS2oOlgAE&q=alongamentos+anca&oq=alongamentos+anca&gs_l=psy-ab.3..0j0i24k1.147630.148287.0.148422.4.3.0.1.1.0.94.257.3.3.0....0...1c.1.64.psy-ab..0.4.259...0i30k1j0i8i30k1.0.JAdF_0Z8EHQ#imgrc=7UG61lBR8qD0ZM:

      https://www.google.pt/search?rlz=1C1GGRV_enPT767PT767&biw=1280&bih=896&tbm=isch&sa=1&ei=mepNWvY-h_pS2oOlgAE&q=alongamentos+anca&oq=alongamentos+anca&gs_l=psy-ab.3..0j0i24k1.147630.148287.0.148422.4.3.0.1.1.0.94.257.3.3.0....0...1c.1.64.psy-ab..0.4.259...0i30k1j0i8i30k1.0.JAdF_0Z8EHQ#imgrc=XNaDLY7CZvU2zM:

      Se passou completamente? Não me parece... Há muito que não sentia nada mas agora na São Silvestre voltou a incomodar-me (ainda que nada a ver com as dores horríveis que tinha no auge do problema). Noto que acontece quando corro em pisos duros e irregulares como em paralelos. Mas tenho falhado nos alongamentos periódicos, mesmo aqueles que devo fazer nos dias em que não treino, mea-culpa!

      De qualquer forma não desistas, tudo tem solução! Se conseguires fazer a fisioterapia é certamente um passo em frente para uma recuperação mais rápida e eficaz. Obviamente que cada organismo responde à sua maneira mas vais ver que, para começar, o descanso total vai ajudar imenso. O resto vem com o tempo e o tratamento.

      Boa sorte e boa recuperação! Vai dando notícias!

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